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Jerônimo adia novamente reforma administrativa e ganha tempo para destravar impasses na base

Jerônimo adia novamente reforma administrativa e ganha tempo para destravar impasses na base

Por Política Livre

03/02/2026 às 11:01

Atualizado em 03/02/2026 às 14:25

Foto: Wuiga Rubini/Arquivo/GOVBA

Imagem de Jerônimo adia novamente reforma administrativa e ganha tempo para destravar impasses na base

Jerônimo Rodrigues

Quando o governador Jerônimo Rodrigues (PT) anunciou que promoveria a reforma administrativa ainda em dezembro de 2025, antecipando a saída de secretários, dirigentes e assessores que disputarão as eleições de outubro, foi alertado por aliados de que a decisão poderia criar problemas desnecessários. O prazo legal para desincompatibilização, definido pela Justiça Eleitoral, só se encerra no início de abril, e antecipar o processo significaria abrir conflitos antes da hora.

Mesmo diante do acúmulo de impasses políticos, envolvendo pressão de partidos por mais espaço no governo, disputas internas e indefinições sobre a chapa majoritária, Jerônimo chegou a sinalizar que faria a reforma no fim de janeiro. Isso também não ocorreu. Na semana passada, o governador avisou a correligionários do PT e a aliados de outras legendas que vai respeitar o calendário legal, deixando as mudanças para março ou abril, numa tentativa de ganhar tempo para reorganizar a base e acomodar interesses conflitantes.

Quem deve sair?

Ao menos oito secretários estaduais devem deixar os cargos para disputar as eleições de outubro, a maioria filiada ao PT. Estão na lista o chefe da Casa Civil, Afonso Florence (PT); o secretário de Desenvolvimento Rural, Osni Cardoso (PT); a secretária da Educação, Rowenna Brito (PT); a titular da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Neusa Cadore (PT); a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Fabya Reis (PT); a secretária de Desenvolvimento Urbano, Jusmari Oliveira (PSD); o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ângelo Almeida (PSB); e o secretário de Agricultura, Pablo Barrozo (Avante).

Afonso Florence

Afonso Florence



Desses, apenas Afonso Florence tentará a reeleição à Câmara dos Deputados. Os demais disputarão vagas na Assembleia Legislativa. Osni Cardoso, Neusa Cadore, Ângelo Almeida e Jusmari Oliveira, inclusive, são deputados estaduais licenciados e buscarão renovar o mandato.

Além do primeiro escalão, dirigentes de órgãos e integrantes do segundo escalão também devem deixar o governo. Alguns entrarão na disputa com chances reais; outros atuarão para reforçar chapas proporcionais.

Já está definida, por exemplo, a saída do presidente da Cerb, Jayme Vieira Lima (MDB), pré-candidato a deputado federal. O presidente da CBPM, Henrique Carballal, ainda aguarda conversa com o governador para decidir se concorrerá à Assembleia, pelo Avante ou pelo PT, partido ao qual está filiado atualmente. 

Suplentes seriam prejudicados

Embora sem manifestações públicas, muitos dos atingidos pela reforma eram contrários à antecipação das mudanças, sobretudo porque os suplentes na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados também perderiam seus mandatos antes do prazo legal. Isso significaria abrir mão de cerca de quatro meses preciosos de mandato — período crucial para ganhar visibilidade, fortalecer bases e se viabilizar eleitoralmente.

Rowenna Brito

Rowenna Brito



O PT teve papel central para convencer Jerônimo a respeitar o calendário eleitoral. Como revelou o site (clique aqui para ler), a legenda pediu que Afonso Florence permanecesse no cargo até abril para garantir que a suplente Elisângela Araújo (PT) continuasse na Câmara por mais alguns meses, após a ida do ex-deputado Josias Gomes para o Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Outro impasse que o adiamento da reforma empurra para frente envolve a deputada estadual Fabíola Mansur (PSB). Como já revelou o site (clique aqui para ler), ela só permanecerá no partido para disputar a reeleição se continuar exercendo o mandato mesmo durante a eleição. Fabíola é suplente de Ângelo Almeida e, para que não retorne à suplência, o PSB trabalha para que a deputada Soane Galvão, que não disputará novo mandato, assuma uma secretaria no governo. Isso abriria espaço para Fabíola seguir na Assembleia, solução já defendida nos bastidores pela cúpula socialista.

Além disso, ao postergar a reforma, Jerônimo assegura quase quatro meses adicionais de mandato para quadros influentes do PT, como o deputado estadual Marcelino Galo, e atende a pleitos de secretários que desejam permanecer mais tempo nos cargos para ampliar musculatura eleitoral, sobretudo Rowenna Brito, considerada uma das auxiliares mais próximas do governador e que concorrerá ao primeiro pleito. 

Xadrez partidário

O adiamento também oferece ao governador margem para reorganizar o xadrez partidário da base. Um dos principais nós é a acomodação do PDT no primeiro escalão. A legenda mira a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, mas o PSB resiste a abrir mão da pasta, hoje comandada por Ângelo Almeida. O Avante também demonstra interesse na secretaria.

Fabíola Mansur

Fabíola Mansur



O PSB, por sua vez, reivindica uma segunda pasta, a Secretaria de Políticas para as Mulheres, que ficaria sob a batuta de Soane Galvão, o que resolveria o impasse envolvendo Fabíola Mansur. A demanda é liderada pela presidente do partido na Bahia, a deputada federal Lídice da Mata. O PT, entretanto, quer manter o controle da pasta com a saída de Neusa Cadore.

Outro desafio é acomodar o grupo do PP que está migrando para o PSB: os deputados Niltinho, Hassan Iossef, Eduardo Sales e Antonio Henrique Júnior, além do prefeito de Jequié, Zé Cocá. Apesar de o ingresso no PSB estar praticamente fechado, o grupo quer uma secretaria no governo, sobretudo em razão da força política de Cocá no Médio Rio de Contas e da promessa de levar mais de 30 prefeitos para a legenda.

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