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Donald Trump recua de novo e adia ultimato ao Irã para depois da Páscoa

Donald Trump recua de novo e adia ultimato ao Irã para depois da Páscoa

Nova moratória de ataques a sistema energético vem depois de Irã recusar proposta dos americanos

Por Igor Gielow/Folhapress

26/03/2026 às 18:45

Foto: Reprodução/Instagram

Imagem de Donald Trump recua de novo e adia ultimato ao Irã para depois da Páscoa

O presidente dos EUA, Donald Trump

Em mais um capítulo da nebulosa negociação entre Estados Unidos e Irã acerca de uma trégua na guerra que assola o Oriente Médio, Donald Trump disse que vai estender sua moratória a ataques contra o sistema energético da teocracia até a segunda-feira após a Páscoa, 6 de abril.

A medida foi anunciada, como é usual, na rede do presidente, a Truth Social. Segundo ele, "ao contrário do que diz a mídia das fake news", as conversas com o Irã "vão muito bem".

Recapitulando, o americano havia ameaçado atacar o sistema de energia do país persa, uma promessa para o caso de o Irã não reabrir o estreito de Hormuz feita em ultimato no sábado (21), que foi suspensa na segunda (23) até o sábado (28).

Trump havia apresentado, por meio do Paquistão, um plano de 15 pontos que incluía itens já acomodados pelo Irã em negociações anteriores, como a renúncia à bomba atômica, mas também diversos temas inaceitáveis para o regime, como o total desmantelamento de suas capacidades nucleares e de seu programa de mísseis ofensivos.

Nesta quinta, o Irã deixou claro rejeitar a proposta.

Segundo a agência de notícias Reuters, Teerã considerou a proposta "unilateral e injusta", mas deixou a porta aberta para negociações. Por sua vez, a iraniana Tasnim informou que a teocracia já enviou, por meio de turcos e paquistaneses, sua visão maximalista para o fim do conflito.

Ela pede o fim da guerra, garantias concretas para evitar novos ataques e compensações pelos danos sofridos. Além disso, o Irã diz que vai manter o controle sobre Hormuz. A Tasnim não disse o que o Irã falou sobre seu programa nuclear, mas a posição do regime é conhecida até agora: se recusa a abrir mão da capacidade de enriquecimento de urânio.

Antes do novo adiamento do ultimato, Trump havia criticado o Irã na mesma rede social. Ele escreveu que "os negociadores iranianos são muito diferentes e estranhos".

"Eles estão nos implorando para fazer um acordo, mas publicamente dizem que estão só 'olhando para nossa proposta'. ERRADO!!! É melhor eles levarem a sério agora, antes que seja tardiamente, porque quando aquilo acontecer, NÃO HAVERÁ VOLTA, e não será bonito", escreveu com as usuais maiúsculas na rede Truth Social.

Mais tarde, numa reunião na Casa Branca, ele disse a repórteres que não descarta "ficar com o petróleo do Irã". "Vamos ver se eles querem [um acordo]. Se não, nós somos o pior pesadelo deles. No meio-tempo, nós vamos simplesmente explodi-los". Depois, fez a surpreendente postagem.

O americano pode estar ganhando tempo, apenas, como já disseram temer os iranianos. Além dos eventuais ataques ao sistema energético, os EUA se preparam para a hipótese de ações terrestres, ou ameaçam isso. Com o cenário, o petróleo subiu para US$ 105 o barril Brent.

Nesta sexta (27) deverá chegar à região o primeiro grupo de 2.500 fuzileiros navais em uma flotilha, enquanto outro deverá chegar até o fim da próxima semana, a tempo do novo ultimato. Há relatos de que até 2.000 paraquedistas de elite do Exército também podem ser mobilizados.

A especulação é de um ataque à ilha de Kharg, centro de exportação de 90% do petróleo do Irã, embora seja uma ação arriscada. Outra hipótese é tentar tomar trechos da costa de Hormuz, igualmente perigoso e insustentável no médio prazo.

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