Delação aponta cobranças de Geddel por suposta propina após eleições de 2024
Por Redação
18/04/2026 às 09:42
Atualizado em 18/04/2026 às 14:04
Foto: Carine Andrade/Arquivo/Política Livre
Geddel Vieira Lima
O ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) foi citado em depoimento da ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, como possível beneficiário de parte da propina de R$ 2 milhões ligada à fuga de 16 detentos, em dezembro de 2024. Segundo a delação, ele teria acertado com o ex-deputado Uldurico Júnior o recebimento de R$ 1 milhão. O Ministério Público da Bahia afirmou que os elementos apresentados justificam o aprofundamento das investigações.
De acordo com as mensagens analisadas, reveladas pelo Bahia Notícias, Geddel aparece como figura de influência nas conversas, sendo chamado de “chefe” e atuando, em alguns momentos, como orientador nas decisões de Uldurico e Joneuma. Há registros de que ele teria sugerido cautela à ex-diretora após seu afastamento e até indicado a possibilidade de apoio jurídico, enquanto ela demonstrava preocupação com possíveis desdobramentos judiciais.
Apesar das citações, não há, nas conversas obtidas, menções diretas que comprovem que Geddel tinha conhecimento de eventual ligação entre Uldurico e a facção criminosa envolvida na fuga. Em mensagens, o ex-deputado tentou atribuir a responsabilidade a autoridades da Secretaria de Administração Penitenciária, estratégia que acabou sendo repreendida por Geddel em um áudio, no qual criticou a insistência e o comportamento do aliado.
A delação também aponta que, após as eleições de 2024, Uldurico relatava pressões e cobranças atribuídas a Geddel pelo pagamento da quantia prometida. Em conversas, o ex-deputado demonstrou medo e tensão diante da possibilidade de não cumprir os supostos compromissos financeiros, citando inclusive riscos pessoais. O caso ainda envolve outros nomes e segue sob investigação das autoridades.
Duas Rosas
As investigações apontam que o ex-deputado negociou com organização criminosa recebimento de R$ 2 milhões para facilitar a fuga ocorrida em dezembro de 2024, quando fugiram do Conjunto Penal de Eunápolis 16 internos, entre eles o traficante Ednaldo Pereira de Souza, o Dada, liderança do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), facção com atuação regional e vínculo com o Comando Vermelho. Dada se encontra atualmente no Rio de Janeiro.
