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Piloto esfaqueou comandante e tentou derrubar avião que ia a Israel, diz Netanyahu; ministros falam em ataque terrorista
Piloto esfaqueou comandante e tentou derrubar avião que ia a Israel, diz Netanyahu; ministros falam em ataque terrorista
Aeronave da Flydubai com destino a Tel Aviv mudou de rota e pousou na Arábia Saudita após confronto na cabine
Por Folhapress
30/09/2026 às 18:15
Atualizado em 30/09/2026 às 20:45
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo
O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu
O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou nesta quarta-feira (30) que um dos pilotos de um voo da Flydubai de Dubai para Tel Aviv esfaqueou o outro e tentou derrubar o avião com todos os passageiros a bordo. O episódio, tratado como um possível ataque terrorista, obrigou a aeronave a desviar para a Arábia Saudita.
A Flydubai informou que outros pilotos da companhia que estavam a bordo assumiram o controle da aeronave, desviaram a rota e realizaram o pouso em segurança no aeroporto de Tabuk. Netanyahu destacou que os viajantes foram "heróis" por ajudarem a imobilizar o copiloto. "Eles salvaram muitas vidas. Evitaram uma grande tragédia", afirmou.
De acordo com a agência Reuters, que ouviu autoridades israelenses sob condição de anonimato, o copiloto teria esfaqueado o comandante antes de a tripulação entrar na cabine de comando. Uma das autoridades identificou o suposto agressor como cidadão de Omã. Netanyahu afirmou que o homem foi preso e interrogado pelas autoridades sauditas e informou que o piloto atacado é indiano e se chama Smit Machchhar.
Mais cedo, o ministro da Segurança Nacional, o extremista Itamar Ben-Gir, havia classificado o episódio como uma tentativa de ataque terrorista. Israel Katz, à frente da pasta da Defesa, também afirmou que foi uma ação terrorista.
O premiê, contudo, não usou essas palavras em seu pronunciamento. Apesar disso, Netanyahu disse que o governo está se preparando para outras "potenciais ameaças" e ordenou às autoridades que reforcem a segurança tanto das companhias aéreas israelenses quanto das estrangeiras. Segundo o gabinete do premiê, Israel deverá reforçar as verificações de segurança dos pilotos que voam para o país.
O Ministério das Relações Exteriores israelense ainda acrescentou que o incidente foi um ataque destinado a minar as relações entre Israel e a Arábia Saudita.
O diretor-geral do órgão, Eden Bar Tal, informou a "todos os embaixadores e chefes de representação israelenses ao redor do mundo que se trata de uma tentativa de atentado terrorista contra os israelenses, os Emirados Árabes Unidos e os Acordos de Abraão", segundo um comunicado, em referência aos tratados assinados em 2020 com mediação dos Estados Unidos.
A empresa Flydubai, por sua vez, afirmou que, nesta fase inicial, as razões e motivações do incidente são desconhecidas e serão objeto de uma investigação. A Autoridade Geral de Aviação Civil dos Emirados Árabes Unidos informou que as equipes de investigação continuam trabalhando para determinar as causas e as circunstâncias do incidente.
A companhia opera diariamente voos de ida e volta entre Dubai e Tel Aviv, uma rota popular entre cidadãos israelenses. O trajeto normalmente atravessa o espaço aéreo da Arábia Saudita e da Jordânia. Dos 172 passageiros a bordo, cerca de 169 eram israelenses, disse à Reuters o embaixador Daniel Meron, da missão permanente de Israel em Genebra.
Em um vídeo gravado dentro do voo, um passageiro israelense narra que um dos pilotos ficou gravemente ferido e o outro sofreu ferimentos leves depois que um deles foi esfaqueado. As imagens mostram diversos passageiros com roupas ensanguentadas.
Yasmin Abukasis, mãe de uma das passageiras, disse que sua filha Miriam lhe contou ter ouvido gritos e visto um homem com uma faca forçar um dos pilotos contra o chão, e que havia sangue por toda parte.
O voo FZ1073, da Flydubai, partiu de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, com destino a Tel Aviv e foi desviado para a Arábia Saudita enquanto sobrevoava o espaço aéreo da Jordânia. Segundo o site de monitoramento aéreo FlightRadar24, a aeronave emitiu primeiro um sinal geral de emergência e, depois, outro que indicava possível interferência ilícita.
Dados de rastreamento mostram que o Boeing 737 perdeu quase 14 mil pés (4.267 metros) de altitude em menos de 30 segundos antes do primeiro alerta. O avião voltou a emitir o sinal geral de emergência antes de pousar com segurança no aeroporto de Tabuk.
Os passageiros conseguiram pousar em Israel, em outro voo da empresa, no começo da tarde (horário de Brasília), após aguardarem por oito horas no aeroporto saudita. Netanyahu foi até o aeroporto receber o grupo e conversar com alguns dos passageiros. Familiares lotaram a área de desembarque segurando bandeiras de Israel.
A Arábia Saudita, que não mantém relações diplomáticas com Israel, rejeitou pedido de Tel Aviv para que aviões militares israelenses pudessem repatriar os passageiros, segundo duas fontes de segurança. O gabinete de imprensa da monarquia saudita não comentou o caso.
Os pilotos são submetidos a rigorosas verificações de segurança, especialmente desde os ataques de 11 de setembro em Nova York, há 25 anos, disseram especialistas à Reuters. Cada país e cada companhia aérea é responsável pela implementação dos padrões de triagem e segurança estabelecidos pela Organização da Aviação Civil Internacional, mas há flexibilidade na forma como essas normas são interpretadas.
O incidente com o avião aumenta os temores de segurança em Israel semanas antes das primeiras eleições desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, com a segurança de Israel desempenhando um papel importante na campanha.
Israel e Emirados Árabes Unidos ampliaram a cooperação nas áreas de segurança, defesa e economia desde o estabelecimento de relações diplomáticas, em 2020. No início deste ano, Israel forneceu ao país sistemas de defesa aérea Domo de Ferro e pessoal israelense para operá-los, ajudando na defesa contra ataques iranianos lançados em retaliação a ofensivas de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
