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Governo Lula quis evitar risco de ser acusado de abuso de poder religioso em Marcha para Jesus
Governo Lula quis evitar risco de ser acusado de abuso de poder religioso em Marcha para Jesus
TSE tem dado decisões em que considera questão religiosa elemento para abuso de poder político
Por Fábio Zanini/Folhapress
04/06/2026 às 21:00
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo
O presidente Lula
O governo Lula não quis correr o risco de ser acusado de abuso de poder religioso pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e por isso preferiu adotar uma postura mais discreta na Marcha para Jesus, realizada nesta quinta-feira (4) em São Paulo.
Representante da gestão federal no evento, o ministro Jorge Messias, da Advocacia Geral da União, apenas desfilou no trio elétrico do evento, mas não discursou, ao contrário do que fez em anos anteriores.
Oficialmente, o ministro seguiu a orientação do presidente Lula, que, em uma chamada para o apóstolo Estevam Hernandes, organizador da Marcha, justificou sua ausência dizendo que não queria fazer política em um evento sagrado.
Com isso, estabeleceu um contraste com a postura de Flávio Bolsonaro (PL), que prometeu em discurso que o mal seria expulso do governo do Brasil.
O conceito de abuso de poder religioso ainda é tema de debates no TSE, que já rejeitou torná-lo um tipo penal autônomo. Em decisões anteriores, no entanto, aceitou que pode ser um elemento para caracterizar abuso de poder político de forma ampla.
Na mais recente delas, em 24 de maio, o TSE manteve a condenação da então prefeita de Votorantim (SP), Fabiola Alves da Silva (PSDB), que havia sido cassada por ter recebido apoio ostensivo da Igreja do Evangelho Quadrangular na campanha eleitoral de 2024.
