Home
/
Noticias
/
Brasil
/
Lula manda assessor explicar empréstimo de amiga de Lulinha investigada pela PF
Lula manda assessor explicar empréstimo de amiga de Lulinha investigada pela PF
Por Catia Seabra e Caio Spechoto, Folhapress
04/08/2026 às 14:44
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil via Flickr
O presidente Lula (PT)
O presidente Lula (PT) determinou que Marco Aurélio Santana Ribeiro, seu ex-chefe de gabinete e um de seus assessores mais próximos, dê explicações sobre o empréstimo obtido com a empresária Roberta Luchsinger, amiga de seu filho Lulinha e investigada pela Polícia Federal.
Marco Aurélio, conhecido como Marcola, deixou a chefia de gabinete há duas semanas para atuar na equipe de campanha do petista. Ele diz que se tratou de um empréstimo pessoal, já quitado, e que não há ilegalidade na operação.
Ainda segundo relatos, Lula teria sabido do empréstimo dias antes de ele vir à tona, mas não antes de escalar Marcola para a equipe das eleições. Outros aliados do presidente se dizem surpreendidos com a notícia, duvidando que o presidente soubesse.
Marcola se manifestou depois de o site Poder360 afirmar, em reportagem, que ele recebeu pagamentos de Roberta.
A notícia, divulgada na segunda-feira (3), irritou aliados de Lula. O presidente concorrerá à reeleição neste ano e precisa evitar desgastes políticos que possam afetar sua popularidade. Apesar disso, a avaliação predominante no Palácio do Planalto é que Marcola cometeu um erro, não um crime.
Marcola teria dito a Lula dispor de registros de pagamento para provar que a operação foi um empréstimo. O assessor do presidente afirmou a aliados que o dinheiro serviu para pagar um tratamento de saúde de seu filho. Ainda não há uma confirmação sobre a data da transação, mas integrantes do Planalto dizem acreditar que tenha sido em 2023.
O presidente da República ordenou que o assessor explicasse a operação. Marcola busca constituir um advogado antes de voltar a falar publicamente sobre o tema.
Lula também tem dito a aliados que tudo precisa ser apurado e que quer ser julgado pelo próprio governo na eleição deste ano. Ou seja, que o eleitor possa decidir o voto com base nos atos do presidente, não de pessoas próximas.
Marcola já assessorava Lula havia quase sete anos quando o hoje presidente ganhou a eleição de 2022. Uma vez no governo, o petista escalou seu assessor como chefe de gabinete. Ele era o principal responsável pela agenda presidencial.
Além disso, servia como um dos principais contatos de políticos que buscavam falar com o chefe do governo. Lula não tem telefone celular. Quem precisa falar com ele liga para Marcola ou para outra pessoa de um grupo reduzido que está sempre próximo do petista.
A empresária Roberta Luchsinger é amiga de Fábio Luis, um dos filhos do presidente da República. Ele ficou conhecido no mundo político como Lulinha, apesar de esse apelido não ser usado nos círculos petistas.
Em nota, a defesa do filho de Lula afirmou ter recebido a instauração pela PF de três inquéritos diferentes por suspeitas de tráfico de influência com "absoluta tranquilidade" e que ele irá comprovar sua inocência.
A equipe disse ainda ter pedido que os órgãos competentes tomem providências contra os vazamentos que consideram criminosos e que atendem a "interesses políticos".
"Recebemos com absoluta tranquilidade a notícia de instauração de ainda mais um inquérito. Utilizaremos todas as oportunidades para esclarecer qualquer dúvida que porventura surja sobre as atividades pessoais e profissionais de Fábio Luís. Ele comprovará, ao final, que não tem relação direta ou indireta com qualquer tipo de irregularidade, assim como fez no inquérito das fraudes do INSS, em relação ao qual esperamos um já tardio arquivamento", dizem os advogados.
"Temos confiança plena na condução serena e equilibrada do ministro Flávio Dino, jurista que admiramos e respeitamos" diz outro trecho, em relação ao terceiro inquérito, que caiu com Dino (os dois primeiros foram autorizados por André Mendonça).
"Temos denunciado a instrumentalização de setores da Polícia Federal a serviço de interesses políticos e eleitorais, em prejuízo da imparcialidade e legalidade que deveriam reger procedimentos criminais."
Roberta Luchsinger é empresária e sócia da RL Consultoria e Intermediações. Em maio, ela disse à PF que apresentou Lulinha para o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o Careca do INSS, antes da deflagração da Operação Sem Desconto.
A operação investiga um esquema que teria descontado mais de R$ 6 bilhões dos beneficiários do INSS de 2019 a 2024. O Careca do INSS é apontado pela PF como um dos operadores centrais do esquema de fraudes nos descontos de aposentadorias.
Em dezembro passado, Roberta foi alvo de buscas. Na apuração sobre o esquema, a PF afirmou ter encontrado pagamentos de uma empresa ligada a Careca para uma companhia de Roberta, totalizando R$ 1,5 milhão.
